Transporte acessível para todas as pessoas garante melhorias à mobilidade urbana

faixaGarantir o deslocamento de todas as pessoas com eficiência e acessibilidade. Esse é um dos objetivos do desenho universal. Conceito utilizado na arquitetura, que tem como princípios: uso equitativo, flexibilidade, uso simples e intuitivo, informação perceptível, tolerância a erro, baixo esforço físico, tamanho e espaço para acesso e uso.

Ou seja, é criar produtos e serviços que atendam o maior número de pessoas possível sem ser especificamente para pessoas com deficiência, explicou Silvana Cambiaghi, arquiteta e especialista em acessibilidade. Para ela, é no setor de transportes que se vê mais facilmente a aplicação do desenho universal.

“Se você tem um ônibus adaptado com elevador, ele é praticamente exclusivo para quem usa cadeira de rodas. Ele demora na operação e é um equipamento que não se adéqua muito para um tipo de transporte que precisa ter fluidez e precisa atender um maior número de pessoas possível. Agora, se você tem um ônibus com piso baixo e acessibilidade através de uma rampa, por exemplo, você consegue atender uma mulher com um carrinho de bebê ou um idoso”, exemplificou.

Outro exemplo são os taxis. De acordo com Silvana, as frotas da Europa e dos Estados Unidos utilizam a técnica do desenho universal. Com isso, eles se transformam. “Sai uma rampa na hora da acessibilidade e o carro se adéqua a um cadeirante ou a uma pessoa que tenha uma mala maior, por exemplo.” Silvana defendeu que é preciso pensar o transporte para todos, inclusive para a pessoa com deficiência. “Mas ela precisa fazer parte de um todo, garantindo todos os instrumentos que o transporte precisa. O urbano precisa de agilidade, o rodoviário mais conforto”, destacou.

Dario Rais Lopes, secretário nacional de Transporte e Mobilidade Urbana, do Ministério das Cidades, lembrou que existem três atributos para pensar o deslocamento das pessoas: espaço, tempo e estado. Para ele, esses são essas três particularidades que devem nortear a forma e a metodologia como a mobilidade deve ser trabalhada. “O centro do deslocamento não deve ser a mobilidade, mas sim a acessibilidade com a garantia do cumprimento desses três atributos”.

Lopes ainda comentou sobre a cultura de trânsito para as pessoas. “Todas as vezes que você afasta as moradias do trabalho e do lazer, você dificulta a circulação. Agrava-se, assim, a questão da fluidez e aumenta a possibilidade de ocorrer acidentes”, afirmou o secretário. Para ele, a solução é começar a pensar na acessibilidade. “É preciso aproximar as pessoas urbanas. Se você colocar o emprego próximo das moradias, o cidadão vai se deslocar menos. Ao diminuir a exposição, ele terá menor probabilidade de sofrer um acidente de trânsito”.

Ter mais segurança nos deslocamentos também é um dos benefícios do desenho universal. Segundo Milton Pombo da Paz, assessor técnico do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos, a acessibilidade, por meio do desenho universal, garante mais segurança aos utilizadores de todas as faixas etárias e situação física.

“Tem que ter um uso pleno do espaço para que todos: crianças, jovens, adultos e idosos, consigam transitar e conviver no espaço urbano”. Ele defendeu o uso de tecnologias aliado a estudos científicos como uma das alternativas para melhorar a acessibilidade e qualidade de vida das pessoas, além da ocupação urbana mais inteligente. “Por que os semáforos não são controlados para facilitar o trânsito e a mobilidade? Por que os carros têm velocidades que vão até 240 km/h e provocam mais de 44 mil mortes e 500 mil tipos de invalidez por ano? Por que todos os sistemas de trânsito são punitivos e não educativos?”, questionou.

É o decreto nº 5296/04 que estabelece as normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida. Para acessar, clique aqui.

​O conceito do desenho universal foi debatido durante o seminário “Mobilidade urbana: acessibilidade, transporte e moradia”, que ocorreu nessa terça-feira (16), na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF).

Fonte: Thays Puzzi

Agência CNT de Notícias

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