Rio terá 10% dos ônibus movidos a energia limpa

energia limpaPor Cristian Klein | Do Rio

Eduardo Paes anunciará compromisso da troca da frota em fórum na Argentina
O Rio de Janeiro vai se comprometer a trocar entre 700 e 750 ônibus a diesel, cerca de 10% da frota municipal, por veículos movidos a tecnologia limpa, como os elétricos, até 2020. Esse será o compromisso – antecipado aoValor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor, – que a prefeitura da cidade assumirá hoje em Buenos Aires, anfitriã do Fórum Latino-Americano de Prefeitos do C40.
Criado em 2005 por Ken Livingstone, ex-prefeito de Londres, o Cities Climate Leadership Group (C40) é um grupo que reúne os prefeitos das maiores cidades do mundo – atualmente são 75 integrantes – para implementação de ações sustentáveis e de combate ao aquecimento global.
No encontro da entidade, cuja presidência é ocupada, desde 2013, pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), cidades da América Latina assinarão um compromisso para a redução de emissão de gases de efeito estufa, por meio de uma “declaração de ônibus limpos”. O total da frota a ser trocada por todos os prefeitos será anunciado no encontro.
O objetivo é aproveitar o grande poder de decisão dos prefeitos no setor de Transporte Público municipal e sinalizar ao mercado que há interesse na compra, em grande escala, de veículos menos poluentes.
“Se os prefeitos sinalizam que têm uma preferência por tecnologia mais limpa, e que isso vai se transformar num critério para a concessão e a regulação do setor, há um impacto no mercado. Incentiva uma guerra, uma competição de fabricantes nesta direção, o que hoje não ocorre. A tecnologia já existe – ônibus híbrido, elétrico e até de hidrogênio – mas os fabricantes precisam de uma sinalização”, diz Rodrigo Rosa, assessor especial de Paes e da presidência do C40.
Circulam pelo Rio cerca de 9 mil ônibus a diesel, frota que será reduzida para algo em torno de 7,5 mil a 8 mil veículos, por causa da reorganização de linhas e da implementação de transportes de alta capacidade, como os BRTs (Bus Rapid transit) – que também poderão ser alvo da renovação. O compromisso de trocar 10% dos veículos se baseia nessa futura frota, menor.
Esse será o primeiro encontro regional do C40, que surgiu como uma alternativa aos tradicionais impasses entre os Estados nacionais na resolução dos problemas climáticos. De acordo com Rosa, cerca de 75% das emissões de gases de efeito estufa ocorrem no meio urbano e as 75 cidades do C40 – a maioria delas com pelo menos 5 milhões de habitantes cada – formariam juntas a terceira maior economia do mundo e o segundo maior país em população.
Para aproveitar o potencial, em setembro do ano passado, durante a Cúpula do Clima em Nova York, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, ao lado de Paes como presidente do C40, anunciou a criação do Pacto Global de Prefeitos (Compact of Mayors), maior iniciativa do mundo envolvendo cidades pela causa ambiental.
Hoje, 20 cidades da América Latina – parte delas não integrantes do C40 – serão as primeiras a assinar o pacto, que prevê uma série de compromissos, como divulgar ações em andamento e reportar os avanços no declínio da emissão de gases de efeito estufa. Entre os participantes do fórum, além de Paes, estarão o prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri, e o ex-presidente do México e atual presidente da Comissão Global de Economia e Clima, Felipe Calderón.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *