Ônibus têm cada dia menos passageiros em Goias

O aumento só não é maior que a queda no número de passageiros, que pagam inteira, a qual foi a menor progressão dos últimos anos. Nos últimos anos o sistema perdeu cerca de 8% dos usuários, e agora a previsão é de uma queda que varia entre 1% e 2%. Dados mostram que o aumento tem relação com o aumento do combustível que é o maior responsável pelo aumento da passagem prevista, uma vez que o óleo diesel tem o maior peso na fórmula nos estudos referentes à passagem, e apresentou uma variação de 5,7% entre dezembro de 2018 e dezembro do ano passado.

Na sequência vem o índice de depreciação da frota de ônibus, que influência positivamente no aumento da passagem de ônibus. Há também o fim da meia tarifa paga por estudantes, que desde 2017 utilizam o Passe Livre Estudantil do governo estadual com 48 viagens mensais apenas de ida e volta.

Existe ainda a expectativa de uma permanência no sistema, devido à dificuldade financeira das famílias, que não conseguem adquirir veículos próprios e o aumento no preço do combustível, que encarece o transporte individual. Além destes, a variação da inflação negativa e o baixo aumento do salário dos motoristas concedido em 2019 terão pouca influência no reajuste da tarifa.

Ano passado o reajuste de 7,5% na tarifa única praticada em toda Região Metropolitana de Goiânia começou a valer no dia 19 de abril. A passagem, que era de R$ 4, passou a ser de R$ 4,30. Com o aumento, o valor passou a ser cobrado integralmente nos cartões de embarque (Cartão Fácil), independentemente da data de recarga.

Como ocorre todos os anos, os créditos do cartão não são reajustados, e o valor de R$ 4,30 foi cobrado mesmo que o cliente tenha adquirido créditos antes do reajuste. Na ocasião, o presidente da CDTC, na época, Jânio Darrot, disse que o reajuste é automático, todo mês de dezembro.

“Já deveria ter sido implantado, mas estamos discutindo uma série de melhorias. Acho injusto o aumento, mas tínhamos de tomar uma decisão. Se quebrássemos o contrato e não aumentássemos a tarifa, poderíamos estrangular o sistema”.

Na ocasião o vereador Lucas Kitão reclamou da forma como a reunião foi conduzida e disse, em tom de ironia, que o aumento era o ‘presente de Páscoa’ que estava sendo dado ao povo goianiense. “Foi uma reunião truculenta, conduzida com pouco de autoritarismo e a gente ficou um pouco sentido de não poder discutir as deliberações. Simplesmente encaminharam a nós uma carta de intenções, simplesmente histórias a se contar. Aumento passou e não foi discutido nenhuma melhoria, infelizmente”, reclamou.

Já o deputado Alysson Lima afirmou na época que a reunião foi de ‘faz de conta’ e teve um aspecto tirano por não discutir as melhorias no transporte, somente o valor da tarifa. O parlamentar afirmou que iria recorrer judicialmente para tentar reverter à situação. “Saio com sentimento de frustração. Esperaram a véspera de feriado religioso para colocar essa fatídica pauta”, desabafa.

(Pedro Moura é estagiário do Jornal O Hoje sob orientação do editor de Cidades Rhudy Crysthian)

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