Obras de mobilidade urbana feitas para Copa e Olimpíada favoreceram população mais rica do Rio de Janeiro

É o que revela tese de doutorado criada pelo economista Rafael Pereira, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), defendida na Universidade de Oxford

ALEXANDRE PELEGI

As obras de mobilidade urbana realizadas para a Copa do Mundo (2014) e para os Jogos Olimpícos (2016), grandes eventos realizados no Rio de Janeiro, favoreceram a parcela mais rica da população da cidade.

Ao invés de um discurso político, a afirmação acima é o núcleo de uma tese de doutorado feita pelo economista Rafael Pereira, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), defendida na Universidade de Oxford, Reino Unido.

Como principais conclusões do estudo, Rafael Pereira aponta o caso das linhas dos BRTs Transolímpica e Transcarioca, e da Linha 4 do Metrô e do VLT no Centro, obras que foram construídas nas regiões que concentram a população de renda média e média alta da cidade.

Segundo o estudo, no ano de 2014, os 10% mais pobres da cidade conseguiam chegar, em uma hora, a 15% dos empregos oferecidos no município. Passados três anos, depois de quase R$ 13,6 bilhões de investimentos nessas obras de mobilidade urbana, as condições dessa parcela da população praticamente não se alteraram. Hoje os mais pobres conseguem chegar a 16% dos empregos em até uma hora.

Quando se olha para os mais beneficiados, vê-se que o processo é inverso: em 2014, os 10% mais ricos acessavam 30% dos empregos em até uma hora. Hoje, chegam a 36% dos empregos em uma hora.

Em resumo, o estudo demonstrou que áreas mais ricas da cidade do Rio de Janeiro tiveram, em média, graças aos pesados investimentos em mobilidade urbana, ganhos mais significativos no acesso a escolas e oportunidades de trabalho do que nas áreas mais pobres.

Os dados revelados pela tese sugerem que, “contrariamente aos discursos oficiais do legado do transporte, as políticas de transporte recentes no Rio aumentaram, ao invés de reduzir, as desigualdades socio-espaciais no acesso a oportunidades de emprego e educação”.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transporte

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