O caminho para reduzir as emissões no setor de transportes

Os danos à saúde a ao meio ambiente causados pela poluição atmosférica são cada vez mais intensos e recorrentes. Globalmente, a poluição do ar é responsável por 3,7 milhões de mortes por ano, fazendo do problema o maior risco ambiental e à saúde no mundo. Os transportes ocupam um espaço significativo nesse quadro, sendo o setor cujas emissões crescem mais rapidamente do que as de qualquer outra área. E a tendência é piorar: de acordo com o IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change), as emissões provenientes dos transportes devem dobrar até 2050.

 

Reverter esse cenário, reduzindo as emissões e desacelerando os efeitos das mudanças no clima é sem dúvida uma tarefa difícil, e requer ações imediatas. Mas diversas medidas voltadas às operações dos sistemas de transporte podem ser tomadas para reduzir impactos negativos do setor no meio ambiente, à saúde das pessoas e à qualidade de vida nas cidades. É o que mostra o livro “Transporte, uso de energia e impactos ambientais: uma abordagem introdutória“, de Márcio de Almeida D’Agosto, engenheiro de transportes e professor adjunto do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (COPPE/UFRJ) e presidente da Associação Nacional de Pesquisa e Ensino em Transportes (ANPET).

 

Destinada a estudantes e pesquisadores da área, a publicação aponta diretrizes para o planejamento eficiente do consumo de energia na gestão e operação de sistemas de transportes. D’Agosto falou à equipe do TheCityFix Brasil sobre seu livro e a importância dessas medidas de redução de impactos nocivos ao ambiente nesse setor. Na concepção do autor, “tudo o que puder ser feito para diminuir o uso do transporte individual por automóveis e privilegiar modais coletivos e/ou não motorizados é uma boa solução para ajudar a reduzir as emissões – desde a aplicação de tecnologia para reduzir as emissões de poluentes dos motores de combustão interna movidos a combustíveis que equipam os automóveis que já existem até a mudança de hábito por parte das pessoas”.

Planejamento: a chave para um transporte mais sustentável

A motorização privada individual, responsável por menos de um terço das viagens realizadas em grandes cidades, responde por 73% das emissões de gases poluentes. Em áreas urbanas que cresceram a partir de um modelo de desenvolvimento “carrocêntrico”, a escolha por modos sustentáveis ou não motorizados ainda encontra muitos obstáculos, como a falta de investimentos e de infraestrutura de qualidade. Para mudar isso, D’Agosto acredita que é preciso investir em mecanismos para colocar em prática aquilo que é planejado: “Muitos estudos e planos são elaborados no sentido de valorizar esse tipo de alternativa, e o que se percebe é uma dificuldade para colocar tais planos e estudos em prática. Muitas vezes, o que falta é a integração entre os diferentes projetos e entre poder público e inciativa privada”.

 

Conforme a análise presente no livro, o planejamento é fundamental para que as operações no setor de transportes não resultem em prejuízos em termos de tempo, gastos e danos ao meio ambiente e a saúde das pessoas. Atividades cotidianas como deslocamentos realizados em modais motorizados e muitas vezes individuais, opções insuficientes e/ou ineficazes de transporte coletivo e a logística mal planejada de transporte mercadorias precisam ser repensadas, a fim de que se alcance um modelo mais eficiente em termos de consumo energético.

 

Para elucidar essas questões, o professor dedica um capítulo inteiro à análise de como o planejamento da demanda pode impactar o consumo de energia e que procedimentos de gestão podem ser adotados tendo em vista o objetivo de reduzir o consumo e as emissões. “A tendência das emissões do setor de transportes é sempre de aumentar, mas é possível trabalhar para que essa taxa cresça mais devagar. Isso pode ser feito com técnicas de planejamento que privilegiem modos mais limpos, não motorizados, integrados e que usem tecnologia da informação para otimizar seu planejamento e operação”, afirma. Perguntado sobre como imagina o futuro do transporte nas cidades, o D’Agosto vê em uma abordagem holística o caminho para uma mobilidade mais eficiente e sustentável.

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