Momento de mudar, fazer e avançar

Chegamos a mais um momento decisivo no País com o processo eleitoral acaminho. No setor de transporte público por ônibus não é diferente. Sempre que nos deparamos com os resultados de desempenho do setor, como os apresentados neste Anuário 2017/2018, sabemos que precisamos refletir e buscar novos rumos.

O apelo por mudanças é urgente, em especial quando os indicadores de desempenho do transporte público por ônibus continuam despencando. A nova queda de 9,5% na demanda de passageiros em 2017, a terceira maior da série histórica, é uma séria ameaça. Independentemente dos inúmeros e recorrentes motivos que levam o passageiro a trocar o ônibus por outra opção de deslocamento, uma coisa é certa: continuaremos perdendo essa batalha se nada for feito.

A falta de investimentos em infraestrutura viária e a equivocada decisão do poder público de privilegiar o transporte individual estão na contramão de todas as referências mundiais de sucesso nessa área. Só contribuem para tornar ainda pior o serviço que se degrada a cada ano.

Longe de se esquivar da parcela que é de responsabilidade das empresas, é notório que o setor sozinho não conseguirá inverter a lógica perversa que atrela a qualidade do transporte público por ônibus urbano ao valor da tarifa que recai basicamente sobre os usuários.

Cientes da gravidade da situação, os empresários iniciaram um movimento de autoavaliação no final de 2017. O processo, pautado por criterioso mapeamento do cenário interno das empresas, desafios e oportunidades para o setor, gerou um plano estratégico propositivo, com mais de 200 ações necessárias à reabilitação do transporte público urbano por ônibus no País.

Trata-se de ações de curto, médio e longo prazo que deverão ser realizadas em parceria entre poder público, empresas e sociedade. Nesse sentido, o setor já deu um passo à frente, oferecendo sua experiência e conhecimento para a elaboração de propostas para a recuperação e requalificação do serviço de ônibus urbano.

Esse processo de comprometimento dos empresários culminou com a Carta de Brasília, documento enviado em março deste ano ao Governo Federal. A Carta propõe um pacto nacional pela reabilitação desse serviço essencial, reconhecido como direito social, com a mesma importância de educação e saúde.

Mesmo com esse esforço, o setor entendeu que era preciso ir além. E foi. Diante da relevância de um serviço que transporta quase 40 milhões de passageiros todos os dias, mas que perdeu 40% da sua produtividade nos últimos 20 anos, os operadores do serviço aprimoraram suas propostas e elaboraram um conjunto conciso de seis programas necessários para tirar o transporte coletivo da sua crise estrutural e histórica, de modo que se ofereça o transporte que a sociedade almeja e merece.

O documento resultante – Construindo hoje o novo amanhã: contribuições do transporte público para a mobilidade urbana – foi concebido como contribuição objetiva e viável aos programas de governo de todos os candidatos e candidatas nas eleições de 2018, tendo como base modelos de sucesso de transporte público por ônibus de várias partes do mundo, além de experiências brasileiras exitosas.

No momento em que o Brasil busca a renovação e abraça novos projetos, o setor se alinha a esse movimento. É hora de participar, sugerir, acompanhar e cobrar resultados, ter propostas reais sobre a mesa e trabalhar para concretizá-las.

Mais do que um simples debate, o segmento de ônibus urbano promove uma oportunidade de reparar equívocos e avançar na construção de soluções definitivas para dar um basta no caos que mina a qualidade do serviço e afugenta passageiros do transporte público no Brasil. Nós estamos provocando esse debate, mas a responsabilidade pelo alcance desse objetivo comum é de todos.

 

Artigo do presidente executivo da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos, Otávio Cunha para o Anuário NTU 2017-2018

 

Fonte: https://www.ntu.org.br/

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