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Mobilidade urbana e para além dela

A semana dedicada ao trânsito, nas cidades brasileiras, tem feito emergir, de maneira cada vez mais saliente e instigante, a problemática dos transportes e da mobilidade urbana. Apesar dos visíveis avanços na percepção desse tema relativamente recente, na direção da multidisciplinaridade, especialmente a partir dos anos 1980, ainda persistem posições pouco dinâmicas sobre a mobilidade, restringindo-se a aspectos estritamente técnicos ligados à circulação de veículos.

Uma visão mais ampliada sobre a mobilidade, com a sua adequada inserção no interior de uma estrutura urbana dinâmica e multifacetada, como organismo complexo, é uma perspectiva necessária a uma das principais exigências da cidade e fenômeno intrínseco à própria existência humana. Veja-se que estamos falando de estrutura e não de sistema, pois a primeira envolve fenômenos físicos e sociais mais duradouros e mais profundos, no espaço e no tempo, englobando os sistemas que, por sua vez, podem se alterar mais rapidamente, a exemplo do sistema de transportes.

Um ponto de partida em direção a uma aproximação daquela estrutura encontra-se no reconhecimento do espaço livre público como elemento fundamental e mais permanente da cidade, e locus espacial primordial da acessibilidade e da mobilidade. Esse ponto de partida físico (e também social) constitui elemento relevante do sistema morfológico urbano, juntamente com o sítio geográfico (elemento primário), o traçado e o parcelamento da terra (ocupação urbana), massas – conjuntos construídos e linhas de equipamentos e marcos da cidade. Atente-se para a importância da consideração desses elementos, em relação ao planejamento dos transportes urbanos. Pesquisas reconhecem os efeitos de diferentes formatos (e densidades) de cidades sobre a eficiência e os custos da operação do sistema de transportes. Daí, identifica-se uma interface fundamental da dinâmica da cidade: transportes – uso do solo urbano. Realce-se também que, o reconhecimento e o tratamento adequado dessa interface, em termos das suas potencialidades, combinações, conflitos e oportunidades urbanas, podem vir a contribuir para a descontinuidade do ciclo vicioso estabelecido na urbe e os seus efeitos perversos provenientes da ineficiência do funcionamento (desequilibrado) da cidade.

A acessibilidade (ofixo) e a mobilidade (o fluxo), associadas ao campo transportes urbanos, também constituem seus sistemas, relacionados à ocupação e ao uso da terra urbana, no processo de produção e apropriação do espaço da cidade. Reconhece-se que a acessibilidade engloba basicamente três escalas territoriais interligadas: macroacessibilidade, como possibilidade de atravessamento da cidade como um todo; mesoacessibilidade, escala funcional intermediária de ligação entre setores urbanos, ou intrassetorial, ou ainda entre áreas – bairros e vias principais e/ou coletoras, e microacessibilidade, de ligação direta a pontos locais da cidade. Para além da oferta, condição e possibilidade de alcance a pontos da cidade, e toda a problemática ligada aos “atritos” de distância e de quantidade de espaços destinados à circulação, a acessibilidade também pode ser traduzida por oportunidades urbanas para os diferentes atores sociais, levando em conta as localizações e densidade viária. Sabe-se que o tema da acessibilidade engloba diretamente o sistema viário, como infraestrutura de superfície, e as suas diferentes classificações quanto à hierarquia, a localização – posição na malha urbana, morfologia, condições operacionais, etc., o que confere também considerável complexidade ao exame viário sistêmico.

Por sua vez, a mobilidade engloba os deslocamentos (circulação) que ocorrem na cidade, tendo como referências um ponto de origem e um ponto de destino. Diferentes fatores parecem interferir na mobilidade das pessoas, a exemplo da classe e da renda, a idade, a ocupação, etc., estabelecendo relações com as desigualdades sociais e a segregação. Como um conceito igualmente amplo, a mobilidade apresenta-se como um fenômeno multifacetado, com dimensões nos níveis social, econômico, político e cultural, indicando também práticas sociais dinâmicas de atores urbanos no espaço, que buscam se inserir nos mais variados setores que a cidade oferece. Supõe-se que a acessibilidade consolida-se com a mobilidade.

Nesse contexto, para além da ideia de construção de sistemas e estrutura, impõe-se também a exigência da integração entre os elementos componentes desse organismo dinâmico (espaço livre público – acessibilidade – mobilidade – uso e ocupação da terra), em termos de um novo desenho urbano, com espaços mais humanizados, e redimensionamento do sistema viário e da circulação/operação das diferentes modalidades de transporte (leia-se intermodalidade nos transportes), na busca por uma maior eficiência no funcionamento da urbe. O conceito de integração coloca-se hoje como um dos fundamentos mais destacados, no âmbito dos estudos de mobilidade urbana, onde o ser humano e o transporte a pé devem constituir o centro irradiador das aplicações desse conceito.

Vê-se que se indica uma visão ampliada, aprofundada e continuada dos fenômenos, não somente localizada no âmbito técnico da engenharia de transportes, mas fundada numa perspectiva sistêmica, sendo esta inserida numa dinâmica estrutural, física e social.

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