Integração é aposta para transporte público

Que Goiânia está saturada de carros e motos, todos já sabemos. E dos problemas que isso traz, como poluição sonora e atmosférica, CONGESTIONAMENTOS e um grande número de acidentes, também já temos conhecimento.

Felizmente, o poder público tem se mobilizado na criação e desenvolvimento de políticas públicas para sanar,  minimizar esse problema. A saída? O incentivo ao uso do transporte não motorizado e do transporte coletivo. Melhor do que isso, já são pensadas estratégias para garantir a integração do recém-criado sistema cicloviário ao sistema de ônibus.

Atualmente, a capital conta com 2,5 km de ciclovia no corredor Universitário, na Avenida Universitária (ou 10) e outros 3,2 km de ciclovia no corredor preferencial da Avenida T-63, ligando o Parque Anhanguera ao Setor Nova Suíça. Com a finalização do trecho cicloviário articulado no corredor preferencial da Avenida T-7, que terá 8,1 km de extensão, Goiânia contará com 13,8 km de ciclovias.

De acordo com a Companhia Metropolitana de transporte coletivo (CMTC) projeta-se que até 2016, Goiânia terá 40 km de trechos cicloviários. A licitação para a contratação das obras de mais cinco corredores preferenciais (T-9, 24 de Outubro, Independência, T-63 e 85) está em fase final.

Além das ciclovias, que são trechos exclusivos para o tráfego de bicicletas, são feitos também investimentos em espaços utilizados para a população usar o veículo por lazer, as chamadas ciclofaixas. Elas já foram implantadas ao redor dos parques Areião e Vaca Brava.

Uma terceira opção para o uso da bicicleta são as ciclorrotas, que nada mais são que trechos sinalizados para que os veículos motorizados possam compartilhar espaço com os não motorizados de forma mais segura. Atualmente, elas estão presentes nas ruas T-12, T-60 e Edmundo Pinheiro de Abreu, fazendo a ligação entre os dois locais. A Secretaria Municipal de Trânsito, Transportes e Mobilidade (SMT) está implantando mais uma na Avenida Cora Coralina/T-63, sentido centro-bairro e Terminal Isidória/Praça Cívica, sentido bairro-centro.

Novidade

Goiânia é uma cidade grande demais para que todos os percursos sejam feitos de bicicleta. E para aqueles que preferem ou não podem utilizar carros ou motos, a outra alternativa é o transporte coletivo, o que demanda a integração desse sistema com o cicloviário.

De acordo com o diretor técnico da CMTC, Sávio Afonso, já são 14 os terminais da Região Metropolitana que contam com bicicletários, com cerca de 900 vagas no total.

Os locais em que há maior procura pelo serviço são os terminais Cruzeiro (302 vagas), Garavelo (131), Trindade (96) e Senador Canedo (50). Muitas vezes, o número de bicicletas acomodadas extrapola o número de vagas.

Para Sávio, os incentivos ao uso da bicicleta e dos ônibus são fundamentais para o crescimento saudável e sustentável da cidade. “Os corredores não só dão velocidade aos ônibus, mas também garantem caminhadas seguras aos pedestres nas calçadas, com acessibilidade e com os trechos cicloviários articulados. Ou seja, são ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas, proporcionando que quem se locomove por bicicleta também ande com segurança”, diz.

Segundo o diretor, o intuito é priorizar os elos mais frágeis na questão da mobilidade, ou seja, aos pedestres, ciclistas e usuários do transporte coletivo. “Os automóveis já são naturalmente contemplados pelas políticas públicas há muitos anos”, pontua.

Carona

De acordo com Sávio, estuda-se atualmente a possibilidade da implementação de suportes para bicicletas nos ônibus da Região Metropolitana. No entanto, isso deve demorar para acontecer. “A gente está aguardando a renovação da frota. É algo que demanda um investimento significativo e temos que ter pé no chão para discutir isso no momento adequado”, afirmou.

Para a arquiteta e urbanista Gabriela Silveira, a priorização do transporte não motorizado e otransporte coletivo é uma forma de garantir maior equidade no uso do espaço público, conforme ditam as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade urbana. “As vias públicas estão tomadas por carros que ocupam muito espaço (para circular e estacionar) e carregam, quase sempre, só uma pessoa. Por isso, é preciso redistribuir o uso dos espaços de circulação da cidade, dar prioridade pra quem ocupa menos espaço, não polui e contribui para a saúde, como a bicicleta, e para quem consegue levar dezenas de pessoas de uma só vez, como o transporte coletivo“, diz.

A especialista pontua que as políticas que começam a ser implantadas em Goiânia são importantes para reorganizar a utilização das vias, democratizar o uso do espaço público e vencer paradigmas. “Aos poucos a execução vai sendo feita e os benefícios começam a ser observados. No entanto, uma avaliação continua do processo é necessária para que os erros sejam minimizados e os acertos sejam potencializados”, diz

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