É hora de avançar

As empresas brasileiras de transporte coletivo por ônibus não podem se acomodar. Ao longo de décadas pressionaram legitimamente os governos por aumentos de tarifa. Se estes vinham, ótimo. Se não, a degradação dos serviços, em nome de uma rentabilidade mínima, era, muitas vezes, a saída cogitada como último recurso.

Parece que este tempo está terminando. Se de um lado o problema das defasagens entre custos e tarifas ainda persiste, em maior ou menor grau, de outro lado mudam as formas de remuneração e de participação no mercado de prestação de serviços públicos. Paralelamente, cresceu com muita força o transporte clandestino, ou pirata, que sem a menor cerimônia roubou demanda do transporte regular em nome do falacioso “mais e melhor transporte”. Ademais, o transporte individual por bicicletas, motocicletas e automóveis, associado ao baixo nível de desemprego, aumento de renda e às facilidades da telemática e do teletrabalho, também têm imposto seus freios à demanda. Pouco mudou, porém, no planejamento das cidades, a torná-las mais compactas, nas quais trabalho, moradia, lazer e educação gerem deslocamentos menos irracionais e em menores tempos e distâncias.

O decréscimo das taxas de fertilidade, a drástica redução das ondas migratórias no país e a melhoria das condições de saúde e de educação estão conduzindo a uma maior expectativa de vida e maior grau de escolaridade. Consolidam-se direitos civis, as minorias os exercem e aplicam-se políticas de cotas raciais, de gênero sexual e sócio-econômicas, objetivando desenvolver a igualdade social. O crescimento da população do país em futuro próximo entrará em relativa estagnação, mas haverá proporcionalmente menos jovens, o que, entre outras coisas, fará crescer as gratuidades no transporte coletivo. Os potenciais usuários do transporte por ônibus do futuro, entretanto, serão pessoas com maior renda, mais educadas e mais exigentes. As demandas deverão ser atendidas, inclusive no que concerne à acessibilidade aos veículos, pontos de parada, postos de serviço nas rodovias e terminais, sendo que parte dos custos adicionais nem sempre são cobertos pelas tarifas.

Barbas de molho, portanto, senhores empresários!

Seja qual for o cenário da economia brasileira nos próximos anos, a produtividade e a eficiência serão as armas fundamentais para enfrentar os problemas empresariais deste ínicio de século.

Num cenário “neoliberal” ou de ênfase ao resgate social de inclusão e redistribuição de renda, a competitividade aumentará, seja porque novos concorrentes disputarão fatias do mercado, seja porque o nível de rentabilidade pode cair. Por tratar-se de mercado naturalmente oligopolizado, a quantidade de fusões e incorporações tende também a aumentar. Não será de todo estranho se novos “players” entrarem neste mercado, fornecendo veículos, tecnologia operacional ou as duas coisas. Assim, o setor de prestação de serviços de transporte coletivo por ônibus, como de resto as empresas envolvidas na prestação de serviços públicos, será fortemente solicitado pelo lado econômico e pelo lado social.

Parece também inevitável que surjam novas oportunidades nas parcerias com o poder público e é possível que as empresas ocupadas somente com a sobrevivência, como consequência de uma propalada crise geral ou particular, não estejam preparadas para competir nestas novas condições.

Os problemas das empresas de ônibus não se encerrariam se os conflitos nas suas relações com os governos fossem reduzidos. Não se trata só dos governos arbitrarem tarifas e regularem o mercado, mas sim de se obter rentabilidade e continuidade em condições satisfatórias. Os governos, no caso, podem representar até os menores dos problemas, ainda que os controles tributários por meio do Sistema Público de Escrituração Digital- SPED e a unificação do envio de informações pelo empregador em relação aos seus empregados por meio do eSocial gerem maiores preocupações e custos, ademais do cipoal regulatório, da burocracia massacrante e dos pacotes de bondades e maldades das Medidas Provisórias.

A empresa de ônibus não pode ser nem instituição financeira nem organização filantrópica, mas sim uma organização capitalista sujeita às regras ditadas pelo mercado e pela legislação, que, mesmo consideradas injustas, só podem ser alteradas por ações políticas que o poder econômico conquistado, presença e reputação na comunidade conferem.

A rentabilidade, “stricto senso“, é questão técnica que pode ser tratada, de modo geral, pela redução de despesas e aumento de receitas. Há, todavia, riscos maiores, internos e externos a considerar, dos quais se destacam: desaceleração da economia, alterações regulatórias e legais, danos à marca e à reputação, dificuldades em atrair e reter talentos, dificuldades em inovar, entender e atender às necessidades e desejos dos clientes, aumentos exagerados dos preços dos insumos, má gestão do fluxo de caixa e instabilidade política e institucional.

De outra parte, dispõe-se de opções seguras para manter o equilíbrio econômico e financeiro das empresas de ônibus e administrar pelo menos parte dos riscos citados, mas o importante é aplicar a solução certa para cada situação. E isto pode ser discutido à luz de outros elementos que não só os imediatos, como, por exemplo, cobrir a folha de pagamento no final do mês, não deixar de pagar as faturas do diesel sob a ameaça da interrupção do seu fornecimento ou “administrar” uma tabela horária ou um itinerário mal ajustados pelo órgão gestor. Neste sentido o Planejamento Estratégico é ferramenta essencial.

A moderna abordagem administrativa e de gestão exige que se coloquem os problemas nos seus devidos lugares e que se busquem soluções adequadas no tempo e no espaço. Exige também que a qualidade da produção dos serviços prestados esteja efetivamente voltada para os clientes, no caso, passageiros e governos. Ou seja, qualidade não é um diploma na parede, é uma profissão de fé, é uma necessidade estratégica.

Considerados os objetivos, o ambiente competitivo, as condições de saúde financeira das empresas e de estabilidade econômica do país, além do comportamento dos agentes internos e externos, será possível traçar trajetórias seguras de prosperidade em condições satisfatórias e até agradáveis para quem administra, opera e se serve da moderna empresa de ônibus.

Não se trata de enaltecer e aplicar técnicas em moda. Basta observar as mudanças que o setor já vem experimentando. Esta é a base inicial para entender as necessidades atuais das empresas de ônibus e para solucionar os prováveis problemas que vão afetá-las no futuro, ou os que já as estão afetando agora. Não basta também apenas clamar por ajuda dos governos, mas ajuda muito cerrar fileiras em torno da boa qualidade das políticas públicas, de mais e melhor financiamento e investimento, do bom planejamento e da efetiva prioridade do transporte coletivo nos ambientes urbanos. O transporte público deve ser de todos e para todos, não de ninguém. O transporte público deve ser, portanto, universal, republicano e democrático, para pobres, ricos e remediados, ou seja, rápido, confortável, seguro, regular, confiável e, principalmente, módico.

Chegou o momento de canalizar a energia do setor para tarefas que ajudem a melhorar e resolver os problemas das empresas de ônibus. Esta missão exige vontade das associações que congregam as empresas, oferecendo e discutindo políticas, ações e projetos com os gestores, ademais de talento e competência das próprias empresas na melhoria das suas condições de desempenho, pela melhor utilização de instalações, recursos, experiência e ativos intangíveis, como o conhecimento adquirido, preparando-as para uma era em que se alteram dramática e velozmente os paradigmas de competitividade. Este trabalho, longe de trazer novos encargos, pode garantir resultados finais palpáveis e de qualidade.

As empresas brasileiras de ônibus têm avançado muito, principalmente nas relações com os poderes concedentes, nas ações de responsabilidade sócio-ambiental, na capacitação da mão de obra e na incorporação de novas tecnologias, como bilhetagem eletrônica e monitoramento de frota. Mas é preciso avançar muito mais. Por outro lado, nas circunstâncias atuais, a acomodação poderá ser fatal.

Helcio Raymundo – Engenheiro, Mestre em Transportes e Consultor. Membro da ANTP

Our friend Hov sits in a dark room
snooki weight loss How to Become a Merchandising Analyst

This falls in lines with the social media
snooki weight lossRecognizing Special Products and Their Factors
How to Draw a Fashion Sketch
porno edit behind the scenes videos of fashion photo shoots

CBS Doubles March Madness Bandwidth
youjizz anyone encounter tried out the parties

How to Make Design Children
black porn it’s as fashionable on the outside as it is on the inside

Kate Gosselin Models at New York Fashion Week
cartoon porn eager to contribute

H sets its sights on Austin
girl meets world The original sandal in Keen’s footwear line

Retro style vintage lingerie from Kiss Me Deadly
how to lose weight fast these drawstrings tend to show signs of wear and tear

Boys Girls Shoes from Top Brands
quick weight loss it could be necessary for your success

New York doll collecting Examiner
miranda lambert weight loss No matter what a