CRÔNICA: A farsa da confiabilidade dos aplicativos de transporte individual

Longas esperas, um atendimento ao cliente sofrível, motoristas cada vez mais despreparados e tarifa não condizente com a qualidade dos serviços. Parece reclamação de passageiro de transporte público, mas é a realidade cada vez mais comum nos tais apps

ADAMO BAZANI

Muita gente usa constantemente o transporte individual porque não conhece as opções do transporte coletivo disponíveis.

Claro que o transporte público precisa melhorar muito e está bem longe do ideal. Mas a tal confiabilidade do serviço dos aplicativos de transporte individual a cada dia está se mostrando não ser uma verdade plena. Como também o que se descortina para o Brasil e já é sentido em cidades do mundo: transporte individual por aplicativo não é solução para a mobilidade. E a explicação está no enunciado; não é solução de mobilidade por uma razão simples: é transporte individual.

Basta depender dos tais Uber, 99, Cabify, etc, em dias críticos, como em chuvas, vésperas de feriados ou horários de trânsito mais intenso para constatar essa realidade.

Além de serem bem mais caros nestas ocasiões (o golpe da tarifa dinâmica), os constantes cancelamentos de corridas fazem com que quem teve experiência com estes serviços afirmar categoricamente: não entregam o que prometem, que é rapidez, conforto e confiabilidade.

Com cancelamentos, a espera por estes carros pode superar a de qualquer ônibus no ponto.

O que eu já tinha ouvido, vivi e senti na pele na semana passada.

Os tais coachings de mercado, mobilidade, serviços e blá, blá, blá, inclusive os vendedores da ideia de que só o “on demand” é detentor de qualidade, adoram usar o termo “experiência” para tudo.

Então, como cidadão, passageiro e coincidentemente jornalista na área de transportes, quero relatar a minha experiência: a pior possível sobre esses aplicativos diante da ideia que eles vendem à sociedade.

Já não era de hoje que minha simpatia com o on demand (acredite, estamos no Brasil) caía. A partir do momento que um motorista negou uma corrida entre Congonhas e Santo André porque na justificativa nada profissional deste senhor, em palavras literais, “em Santo André chove” , minhas certezas sobre os aplicativos, com base no que já ocorria em cidades do mundo onde eles se popularizaram antes, só aumentavam: com o tempo, estes serviços se saturam e se degradam.

E é verdade. Cada vez mais carros ruins e pseudos motoristas despreparados invadem o mundo dos apps, que uma ova querem oferecer experiência ao passageiro, senão seriam mais rigorosos na seleção e cobrança dos motoristas. Estas startups empresas, grandes negócios, querem mesmo é grana, nada mais. Dinheiro do passageiro e o suor do motorista que tem de trabalhar mais de 12 horas por dia dirigindo para ter um rendimento digno.

Mas vamos à experiência.

Nesta sexta-feira, 11 de outubro de 2019, véspera de feriado de sábado, cheguei por volta das 21h ao aeroporto de Congonhas, na zona Sul de São Paulo, depois de uma extensa pauta em Curitiba.

Neste momento começou a saga.

O voo demorou um pouco mais de 40 minutos. Mas para eu conseguir transporte foi mais de uma hora e fui “salvo” pelo criticado transporte público, que me levou de Congonhas a Santo André em 1h30 (não o destino final, mas até a última estação).

O trânsito estava completamente parado.

Eu estava com mala, cansado e precisava voltar para Santo André. Estava desde às 5 da madrugada acordado.

Então decidi usar aplicativo, como faço frequentemente, mas cada vez mais decepcionado.

Abri o 99. Fiz o pedido. Foram quase três minutos só para o aplicativo localizar um motorista.

Quando conseguiu, apontava que seriam necessários mais 10 minutos de espera. Assim, o serviço me consumiria 13 minutos, os quais eu ficaria em pé esperando naquela área inferior de Congonhas, tempo de espera maior que grande parte das linhas de ônibus da capital paulista. Mas se fosse assim, estaria bom.

Passados quase os dez minutos de espera, o aplicativo manda uma mensagem dizendo que o motorista cancelou e que providenciaria outro.

Passados mais uns dois minutos, o 99 arranja outro motorista.

Bem, até aí seriam 15 minutos gastos de minha vida esperando o aplicativo.

A previsão era de dez minutos.

Assim, seriam 25 minutos de uma experiência de espera.

Por reclamação de tempo de espera menor que isso, já vi o Bom Dia SP, da Globo, fazer suas “viagens de ônibus” de manhã. Uma ressalva: nada contra os colegas do jornalístico, que fazem seu trabalho no cotidiano.

Mas se fossem os 25 minutos, ainda eu aguentaria.

Passado um bom tempo, um motorista chamado Elizeu disse que não poderia me pegar porque o Waze informava que ele ia demorar 20 minutos para chegar ao aeroporto.

Pera aí. O app do 99 falava dez minutos e o Waze, 20.

Quem é mais confiável? O app de transporte fez uma propaganda enganosa? E fez.

Informei isso ao motorista pela mensagem e como resposta tive: “cancela aí, por favor”.

O que? Eu cancelar?

Falei que o critério era dele, mas que eu não queria cancelamento.

Em todo este lenga-lenga da “nova mobilidade” já tinham se passado 15 minutos.

Então, minha experiência de frustração, já estava chegando aos 40 minutos.

Não cancelei, não queria estar sujeito a taxas ou qualquer outra coisa impositiva dessas empresas.

Pois bem, o app repentinamente mostrou que o motorista tinha chegado ao aeroporto.

Mas o carro não apareceu. E não “comi bola”, não.

O trânsito era tão ruim, que os carros ficavam por um bom tempo parados na entrada da Parte A área coberta do Terminal de Desembarque. Com a B descoberta, a mesma coisa.

Dava para perfeitamente ver cor, placa, modelo e até o RENAVAM e chassi do carro.

Mas a revolta dá forças e não cancelei. Esperei que o motorista fizesse isso.

O que ocorreu mais de cinco minutos depois.

Nessa história, minha “expercience” no “on demand” neste serviço de “mobility” (como adoram falar os baba-ovos e entusiasmados que parecem que esqueceram que no Brasil se fala ainda a língua portuguesa) já tinha ido praticamente uma hora para o lixo, na espera.

Eu não estava disposto a jogar outros minutos de minha vida e nem dar em torno de R$ 50 do meu suor para estas empresas de aplicativo (Seria o preço de Congonhas para Santo André).

Eu estava com mala, cansado de trabalhar mais de 12h em reportagem externa. Bolhas nos pés.

Mas a revolta dá forças, lembra?.

Sabia que na Parte B tinha um ônibus urbano, do sistema SPTrans, que vai até o Metrô São Judas.

Foi o que salvou, não somente a mim, mas a outros passageiros.

É a linha 609J/10 – Aeroporto – Metrô São Judas.

Já se formava uma fila quando o ônibus encostou.

Nesta fila também estava o Thales, que tinha chegado de Recife e com a Uber passou a mesma “bad expercience” : corridas canceladas também.

Ele, que conversou comigo pouco antes do embarque no coletivo, não sabia da existência desse ônibus. Só descobriu porque estava procurando um lugar melhor para esperar o motorista em mais uma tentativa com a Uber e viu a fila.

E vai mais uma constatação dessa saga. Empresas de ônibus, de sistemas de trilhos e gerenciadoras de transportes não sabem mesmo “vender” seus serviços. Mas as empresas de aplicativo sabem e muito, tanto é que anunciam nos pontos de ônibus e no Metrô. É a cultura do pensar nos centavos e perder os milhões presente nos operadores de transporte coletivo. Em troca das migalhas de anúncio, deixam o transporte individual chamar o passageiro de trouxa nos pontos, ônibus, terminais e estações e se insinuarem dizendo que são muito melhores, o que é mentira.  Aí quando perdem os milhões para estes aplicativos ou para a indústria de carros e motos, os transportadores públicos reclamam. Vale lembrar que as paradas de ônibus da capital paulista são mantidas em contrato de publicidade por donos de empresas de ônibus.

Agora vai uma constatação: quando a pessoa desembarca em Congonhas, parece uma feira de transportes: funcionários do sistema de táxi só faltam pular em seu colo para oferecerem o serviço. As empresas de aplicativo fazem anúncios “maiores” que o tamanho dos aviões dentro do aeroporto. E onde estava uma placa ao menos (logo no desembarque, não no meio da rua) dizendo que existe um ônibus que por R$ 4,30 te deixa no Metrô?

Ah, mas tudo dentro do aeroporto é pago. Mas é serviço público e outra, a empresa de ônibus que ponha a mão no bolso não para puxar o lenço e chorar que está perdendo passageiro, mas para pegar a carteira e pagar um anúncio dizendo: Quer chegar ao Metrô pagando R$ 4,30 num veículo com ar-condicionado e tomadas USB: Final da Área B, linha 609J/10 – Aeroporto – Metrô São Judas.

Quando o ônibus da linha Aeroporto e Metrô São Judas chegou, alguns dos “novos” passageiros aparentemente tiveram uma boa impressão.

O veículo é da concessionária MobiBrasil. Ar-condicionado e carregador USB, inclusive para carregar a bateria dos celulares dos passageiros cuja energia foi desperdiçada com as infrutíferas tentativas de atendimento das empresas de aplicativos de transporte individual.

O ônibus oferecia um bom conforto, apesar de ser um modelo de motor dianteiro e com degraus, o que dificulta a entrada das pessoas com algum tipo de bagagem. Aliás, por que não nessa linha voltar o padrão de piso baixo e motor traseiro? É uma linha que não pega relevos difíceis. Mas com certeza, na mentalidade de centavos dos gerenciadores e operadores do transporte coletivo, vão mostrar alguma fórmula dizendo que o modelo Padron (motor traseiro e piso baixo) não “compensa”, o mantra da “conta não fecha”. Ver os degraus e o cofre do motor pegando um baita espaço no embarque, desestimula sim.  Mas os gestores/operadores podem dizer que o IPK, pelo IPC, da FGV, Uni-Dune-Tê não sustenta um motor traseiro naquela linha. Paciência.

Porém, com tudo isso, o ônibus que não demorou para sair do ponto e teve um tempo de trajeto até que aceitável pelo panorama do trânsito foi bem avaliado, inclusive por mim, pelo Thales e por outros “novatos” que comentavam entre si que ainda bem que tinha aquele ônibus.

Uma coisa importante: a maior parte daquele congestionamento que atrapalhou os aplicativos de atenderem na área do desembarque do aeroporto as solicitações era formada por carros de aplicativos. Isso mostra que aplicativo de transporte individual não é solução para mobilidade: congestiona e polui as cidades.

Agora, imagine se no lugar do ônibus convencional da MobiBrasil, houvesse um corredor para a empresa colocar um articulado ou biarticulado? E se, além desse corredor houvesse um Metrô lá na região de Congonhas? Metrô não vai ter, mas o monotrilho da linha 17, que está projetado para passar em frente e deveria estar pronto na Copa de 2014, será de grande valia.

Mas continuado a viagem de Congonhas para Santo André, desci na estação São Judas na linha 1-Azul do Metrô de São Paulo.

As pessoas estavam com malas e escada rolante só subia. Para descer ao mezanino das catracas (metroviário gosta que chama de bloqueio) tinha de levar a mala de viagem na mão. Havia elevador, mas era para prioridades.

E lá vem outra brecha dos gestores e operadores de transportes coletivos que pensam que acessibilidade tem de ser só para idosos, pessoas com deficiência, gestantes, etc.

Acessibilidade é para todos; para as prioridades, para o cidadão que chegou com mala de viagem ou para o trabalhador que está cansado no fim do dia. Mas a mentalidade de centavos deve dar alguma desculpa.

Na transferência da linha 1-Azul para a linha 2-Verde do Metrô, a Estação Ana Rosa, a mesma coisa: escadão fixo com mala na mão.

Na estação Vila Prudente, da linha 2-Verde do Metrô para a linha 10-Turquesa da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, a transferência foi tranquila, com escadas rolantes.

Mas chegando à estação de Santo André da CPTM, para quem está com mala de mão, a situação é rum. Na estação Prefeito Celso Daniel/Santo André não tem nem escada rolante e nem elevador.

Da estação até minha casa, chamei um carro de aplicativo. Sim, chamei.

É o gancho para evitar os mi-mi-mis de internet (sejam de alguns leitores, que não são obrigados a concordar com nenhuma linha deste texto ou de áreas jurídicas). Vamos a algumas obviedades:

– Este que escreve não é radical e nem quer fazer campanha contra aplicativo, que tem sim uma importância na mobilidade. Mas vamos parar com o conto da carochinha dizendo que o transporte individual sob demanda faz parte da solução para a mobilidade porque não faz. Uma coisa é ser importante e outra é fazer parte da solução. O analgésico é importante, mas ele não cura doenças.

– Outra mentira: hoje deve-se atender ao desejo cada vez mais personalizado e sob demanda do cidadão. Bobagem pura! O cidadão precisa voltar a apreender viver de forma coletiva nas cidades.

– Carro de aplicativo melhora o trânsito e é compartilhado. Balela ! O transporte continua sendo individual. Aliás, na maior parte dos carros de aplicativos que entupiam as imediações do aeroporto, só tinha um passageiro.

– Uma verdade: solução para as cidades é transporte coletivo junto com uma melhor distribuição das atividades econômicas, deixando as ofertas de serviços, emprego e renda cada vez mais próximas das moradias das pessoas. O resto, é oportunismo.

– Verdade: além de serem importantes para os passageiros, os carros de aplicativos em tempos de crise viraram alternativas de vida e renda para milhões de desempregados. Assim, é evidente que não se deve fazer campanha contra estes serviços. Mas estes pais e mães de família que dirigem deveriam ser melhor atendidos e cobertos pelas bilionárias empresas de aplicativo, que lhes cobra altas taxas, dá pouca assistência e treinamento zero.

– Diante dos cancelamentos de viagens e motoristas que te negam corridas, a impressão que fica é que essas empresas de aplicativos não têm gestão de tráfego, como uma empresa de ônibus deve ter. Tudo parece ficar largado ao falso deus da “oferta e demanda” da livre economia, que não se aplica inteiramente em serviços de interesse público como é o transporte.

– Operador de transporte coletivo não sabe ainda “se vender” e fica pensando nos centavos  – Verdade!. Só leva porrada da mídia e da sociedade, muitas vezes com razão e em outras de forma injusta. Aí quando tem algo minimamente bom, não anuncia, não avisa. Para muitos donos de empresa de ônibus e até operadores de trilhos, investir em comunicação não é necessário. Depois quando perde passageiro, chora. No lado positivo do termo: Uber, 99 e etc são mais marketing que mão na massa. Operação mesmo é com os motoristas e alguns funcionários da área de informática, muitas vezes terceirizados.

– Muita gente ganha rios e oceanos de dinheiro com discursos baratos da nova mobilidade. A questão principal é a falta de infraestrutura para transporte público: mais corredor de ônibus e mais metrô. Isso mesmo. Nada de novo, não rende evento, seminário ou palestra porque é óbvio. Sem termos “chicosos” em inglês . Se, prá começar a conversa não tiver isso, o resto é blá, blá, blá de neologismo de mobilidade. Não perca seu tempo.

Agora, usando alguns termos chatos que viraram modinha no mundo dos coachings, vou avaliar o serviço “on demand” e “public” de “mobility” com base na minha “experience”, considerado minhas “dores”. Argh, que chato!

Melhor dizendo, vou dar notas com base no que eu passei, levando em conta os problemas que tive de enfrentar. Assim, não há um critério técnico, a base é a tão propagada experiência.

– APLICATIVO 99:

Nota 0 – Zero.

Pontos Positivos: Não Houve

Pontos Negativos :

– Demorou quase três minutos para localizar o motorista.

– Dois cancelamentos de corrida pelo aplicativo.

– Os cancelamentos demoraram a ser efetuados, ou seja, obrigou longa espera para não atender.

– Primeiro motorista cancelou sem explicação.

– Segundo motorista induziu o cancelamento.

ÔNIBUS MOBIBRASIL SPTRANS (linha 609J/10 – Aeroporto – Metrô São Judas)

Nota: 8 – Oito

Pontos positivos:

– Partiu depois de pouco mais de cinco minutos após ter encostado na plataforma

– A motorista e o cobrador foram bem educados.

– Mesmo sem corredor, a viagem não foi demorada.

– Ônibus tinha tomada USB para carregar o celular.

– Ônibus tinha ar-condicionado.

– Tarifa R$ 4,30

– Limpeza

Pontos negativos

– Não havia anúncios no aeroporto e informações na área de desembarque sobre a existência dessa linha.

– Parada fica muito longe, no extremo da área B da região inferior de desembarque do aeroporto. Deveria ter prioridade, quem vai de carro e não é preferencial, que vá para as pontas.

– Ônibus com degraus e motor dianteiro (com aquele cofre enorme do motor logo na entrada), o que dificulta o acesso de quem está com bagagens. Piso baixo e motor traseiro seria mais acessível. e aparentemente, a condição viária permite isso.

LINHA 1-AZUL DO METRÔ:

Nota 7,5 – Sete e meio

Pontos positivos:

– Rapidez no trajeto (viagem e espera).

– Foi possível ir sentado

– Vagão (carro, na verdade), espaçoso naquele horário (após às 22h) para mala.

– Tarifa com integração com o ônibus

– Limpeza

Pontos negativos:

– Estação São Judas, pelo acesso por onde para o ônibus, não tinha escada rolante que descia para o mezanino dos bloqueios e bilheterias. Pelo menos não era de fácil visualização, se tinha.

– Uma pessoa pedia esmolas dentro do vagão (carro, na verdade).

LINHA 2-VERDE DO METRÔ:

Nota 7,5 – Sete e meio

Pontos positivos:

– Rapidez no trajeto (viagem e espera).

– Vagão (carro, na verdade), espaçoso naquele horário (após às 22h) para mala.

– Limpeza

Pontos negativos:

– Estação Ana Rosa, para oferecer o acesso à plataforma para Vila Prudente, não tinha escada rolante em posicionamento prático para evitar que o passageiro ficasse andando muito na estação.

– Um homem com criança no colo pedia esmolas quase gritando dentro do vagão (carro, na verdade).

LINHA 10 TURQUESA DA CPTM

Nota: 6 – Seis.

Pontos positivos:

– Rapidez no trajeto (viagem e espera).

– Vagão (carro, na verdade), espaçoso naquele horário (após às 22h) para mala.

– Limpeza

Pontos negativos:

– Estação Prefeito Celso Daniel, em Santo André, sem nenhuma escada rolante e elevador. Difícil para quem estava com mala.

– Vendedores ambulantes (até cerveja era comercializada) e pedintes dentro do trem.

– Lotação depois das 22h já impedia um conforto maior para quem está com mala.

UBER EM SANTO ANDRÉ:

Nota: 8- Oito

Pontos positivos:

– Motorista gentil

– Limpeza do carro

Pontos negativos:

– Aplicativo demorou quase 2,5 minutos para localizar um motorista.

– O tempo de espera inicial, que foi apontado de quatro minutos, mudou para seis minutos depois de dois do início do registro da vinda do motorista.

MÉDIA DAS NOTAS:

Transporte Público (Ônibus, Metrô e CPTM): 7,25

Aplicativos (99 e Uber): 4

ESCLARECIMENTOS

Sobre a mala de mão (daquelas que as companhias aéreas deixam levar na parte de cima do avião), muita gente deve falar: Transporte público não deve ser lugar para elas.

Mas, por que não?

Outra pergunta que pode ser feita: Por que não pegou táxi?

É muito caro de Congonhas para Santo André.

Mais uma: você é contra os aplicativos? Eles são sustento de pais de família

Resposta: Não, em nenhum momento disse que sou contra. Quanto mais opções de deslocamento melhor, mas é inegável que a qualidade e a confiabilidade destes serviços caíram e que eles não são solução para mobilidade. São “analgésicos”. Tratamentos complementares e coadjuvantes de uma doença crônica (a imobilidade) que se cura com cirurgia (obras que privilegiem o transporte coletivo e inserção de atividades que gerem emprego e renda perto das casas das pessoas), fisioterapia (boas práticas e postura diferentes) e psicoterapia (com mudança de mentalidade de gestores públicos, de operadores de mobilidade e da população).

Outra mais: A linha 609J Aeroporto – Metrô São Judas não é tão boa assim. Pega no pico?

Sim, precisa melhorar e em nenhum momento foi dito que ela é o melhor dos mundos. Mas é um relato de experiência e o serviço ajudou tanto a mim como a outros abandonados pelos aplicativos.

Ah, mas foi pontual.

As experiências são relatos do que é pontual e de acordo com nossa vivência e de outras pessoas com suas narrativas, parece que o pontual está ficando cada vez mais comum.

Ah, mas você tá relatando o seu caso

É crônica.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *