CG: assalto a ônibus preocupa

Jornal Correio da Paíba – B2 – CIDADES Paraíba Sábado, 11 de agosto de 2018
Por: Ricardo Júnior

Todos os dias a estudante Otaíza Silva, 22 anos, entrega sua vida nas mãos de Deus e reza para chegar em segurança à Universidade Estadual da Paraíba, no bairro de Bodocongó. A jovem é natural de Nova Floresta, no Curimataú paraibano, e há três anos mora em Campina Grande. Desde então, já foi assaltada cinco vezes, sendo duas apenas este ano. Em um dos casos, ela estava voltando da universidade, por volta das 21h, quando os bandidos abordaram o ônibus da linha 333 nas proximidades da Fundação Assistencial da Paraíba (FAP). “Eles agem quase sempre da mesma forma. Entram, pulam a catraca, anunciam o assalto e descem do ônibus como se nada tivesse acontecido”, relatou.

Em fevereiro deste ano, os ônibus de Campina Grande passaram a não receber dinheiro como pagamento das passagens depois das 20 horas. A determinação da Superintendência de Trânsito e Transporte Público (STTP) tem como objetivo reduzir o número de assaltos contra o transporte público e ainda seguir uma orientação do Ministério Público da Paraíba (MPPB) para que os motoristas não passem troco. Além disso, há um ano, os coletivos começaram a contar com o sistema de biometria facial.

Conforme uma pesquisa realizada pela STTP, foram contabilizados 32 assaltos no primeiro semestre deste ano. Houve uma redução de 40,7% quando comparado ao mesmo período do ano passado, onde foram registrados 54 casos.

De acordo com o estudo, a arma de fogo continua sendo a mais utilizada nos assaltos a ônibus, já que em 59% das ocorrências os criminosos portavam esse tipo de arma. Os bairros que registraram os maiores números de assaltos foram a Liberdade, o José Pinheiro e Bodocongó. Com dez ocorrências, o principal alvo dos bandidos é a linha 101, que sai do Bairro das Nações, passa pelo Centro e vai para o Distrito Industrial.

Para Otaíza Silva, a medida da STTP apenas muda o foco dos criminosos para os passageiros. “Se antes os principais alvos eram os motoristas, agora são os passageiros. Essa determinação não adiantou muito no quesito segurança, já que os assaltos continuam ocorrendo na mesma frequência. Além disso, acaba prejudicando as próprias empresas porque são poucas as pessoas que vão pagar o cartão com a dívida da passagem inclusa”, pontuou a estudante.

Motoristas estão na mira

“A pesquisa mostrou que a maior parte dos assaltos acontece durante a noite e tem como principal alvo os motoristas dos ônibus. São roubos de celulares e de pequenos valores, os quais os criminosos utilizam para comprar drogas. Diante disso, a utilização do cartão se revela uma alternativa que facilita a vida dos usuários do transporte público e traz mais segurança para eles”, justificou o Superintendente da STTP, Félix Araújo.

Segundo ele, a medida pode ser relativizada ocasionalmente, tendo como base os eventos da cidade. “Durante a festa dO Maior São João do Mundo, por exemplo, ficou determinado que as empresas iriam aceitar o dinheiro como pagamento das passagens. O objetivo era evitar transtornos para os turistas. Em outro evento que aconteceu em um final de semana também houve ponderação no cumprimento da medida”, contou.

O comandante do 2º Batalhão de Polícia Militar, tenente-coronel Cristóvão Lucas, acredita que a redução no número de assaltos a ônibus também é fruto do trabalho da polícia. O diretor institucional do Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros de Campina Grande (Sitrans), Anchieta Bernardino, afirmou que não tem condições de avaliar a eficácia da medida para coibir os assaltos a ônibus.

“O assalto é um crime sazonal. Os bandidos são inteligentes e mudam constantemente os horários dos ataques. Não tem como levar 40 pessoas à delegacia, então, a recomendação é suspender a viagem, trocar de veículo e orientar o motorista a registrar um BO”, explicou.

Ele revelou ainda que, nos últimos assaltos registrados nas proximidades da Praça Clementino Procópio, no Centro, os passageiros sofreram agressões físicas.

Biometria fácil ajuda a identificar usuários

Em agosto do ano passado, a biometria facial foi adotada no transporte coletivo de Campina Grande. A tecnologia possibilita a identificação visual dos usuários através de parâmetros digitais, garantindo o uso adequado do cartão que dá direito a algum benefício e reduzindo as fraudes no sistema. Em casos de uso indevido do cartão, a empresa pode adotar as medidas administrativas que achar necessária.

“A expectativa é de que a tecnologia seja implantada em todos os ônibus da cidade ainda este ano. Hoje em dia, cerca de 70% da frota dispõe da biometria facial. As imagens capturadas ficam armazenadas em um banco de dados que podem ser solicitadas pela polícia em casos de assaltos. O sistema facilita a identificação de quem entrou e saiu do veículo. Inclusive, ele já foi implementado nas entradas do Terminal de Integração”, explicou Félix Araújo.

 

Fonte: STTP30

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