Aumento no diesel e o impacto no transporte

CombustívelO aumento no preço dos combustíveis terá impacto direto no setor de transporte. O governo federal decidiu elevar a arrecadação com os impostos do diesel e da gasolina, o que afeta significativamente a prestação do serviço de transporte, tanto na área de cargas como na de passageiros. Os transportadores já trabalham com o peso da alta carga tributária e agora terão que driblar mais esse problema.

Os custos do transporte no Brasil têm ligação direta com o valor do diesel, que é o principal insumo do setor. Com certeza, o preço do frete será afetado por esse aumento. Quando o combustível sobe, a atividade sente o reflexo. Na área de cargas, até 37% dos custos estão relacionados ao diesel. Na área de passageiros, cerca de 25%.

Com a movimentação de cargas a um custo maior, são vários os reflexos negativos. E o consumidor, que já sentiu no bolso o alto preço do combustível vendido nos postos do país, será afetado novamente. A alta no frete, provocada pelo aumento do diesel, levará ao encarecimento, para o consumidor final, de alguns produtos transportados. Também haverá reflexo negativo no comércio exterior, fazendo com que o Brasil perca competitividade e fique em desvantagem em relação aos concorrentes.

Ao elevar as alíquotas do PIS (Programa de Integração Social) e da Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), não há garantia de que essa maior arrecadação será revertida para melhorias na infraestrutura de transporte. Esses tributos não têm destinação específica para o setor. A Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), que começa a ser arrecadada em maio, deveria ser usada em projetos de infraestrutura de transporte.

Entretanto, de 2002 a 2012, a Cide arrecadou R$ 76 bilhões, mas somente R$ 37,6 bilhões foram para a infraestrutura de transporte.
Na prática, o governo federal aumenta a arrecadação com o combustível, afeta o transporte de cargas e de passageiros, mas o setor transportador não verá, necessariamente, os benefícios desse aumento dos impostos.

O alto custo do diesel é uma preocupação antiga dos transportadores. No final do ano passado, a Sondagem Expectativas Econômicas do Transportador 2014, feita pela CNT, mostrou pessimismo entre os empresários sobre os rumos da economia e sobre os impactos do preço do combustível em suas atividades.

É importante destacar as péssimas condições das nossas rodovias. Os buracos e outras situações críticas impactam a atividade e aumentam o consumo, deixando a atividade ainda mais onerosa. A última Pesquisa CNT de Rodovias mostrou que mais da metade dos trechos possui algum problema, aumentando os custos das viagens, a poluição e o risco de acidentes. As condições do pavimento proporcionam aumento médio de 26% no custo operacional do transporte. Se o pavimento das rodovias fosse bom ou ótimo, há estimativas de que poderia ser possível reduzir o consumo em até 5%.

E diante de tantas dificuldades que precisam ser solucionadas, o governo opta pelo mais fácil. Em vez de reduzir seus próprios gastos, prefere onerar ainda mais os transportadores, já tão penalizados nos últimos anos. Temos, assim, um início de ano nada animador para o transporte no país.

Clésio Andrade é presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT).

Fonte: CNT

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