Acidentes de trânsito no país custam R$ 56 bilhões e matam 44 mil pessoas por ano

O país enfrenta uma grande crise econômica que deixa os recursos escassos. Assim, todo esforço para reduzir gastos desnecessários é considerado fundamental.

E um desses esforços pode, além de poupar recursos financeiros, ter como principal objetivo evitar que milhares de pessoas percam a vida. Trata-se da do combate para redução do número de acidentes de trânsito.

Balanço divulgado nesta quinta-feira, 17 de novembro de 2016, pelo Observatório Nacional de Segurança Viária, uma ONG que reúne especialistas nos setores de saúde, e economia, trânsito e transportes, mostra que por ano 43 mil 780 pessoas, em média, perdem a vida nas ruas, avenidas e estradas brasileiras.

Os dados foram baseados nos registros do Ministério da Saúde de 2014, os números fechados mais recentes.

Para a economia, estes acidentes custam R$ 56 bilhões por ano.

acidentes

Para chegar a este número, a ONG levou em conta gastos com socorro, combustíveis, leitos hospitalares, seguros, afastamento de trabalho e perda de produtividade, previdência social e intervenções viárias.

É dinheiro suficiente para a construção de 1.800 hospitais, custando R$ 30 milhões cada, que teriam capacidade para atender 450 mil pessoas por dia ou 164 milhões de pessoas por ano.

Com este valor, também seria possível dobrar o número de beneficiados do Bolsa Família, construir em média 56 km de metrô ou 1600 km de corredores de ônibus, que podem registrar 54 milhões de passagens diárias.

Segundo o levantamento do Observatório, a maior parte das mortes está concentrada nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná:

Desse total de mortes, em 2014, por exemplo (ano com informações mais recentes disponíveis), cerca de 1/3 concentra-se em apenas 3 estados brasileiros: São Paulo (7032), Minas Gerais (4396) e Paraná (3076). Há de se ponderar, no entanto, que estes também são os estados que concentram parcela significativa da população e frota no Brasil. Ao analisarmos índices de acidentes, percebe-se que a situação é muito mais crítica nos estados do Piauí (taxa de mortes por 10 veículos igual a 13,62), do Maranhão (taxa de mortes por 10 veículos igual a 13,19) e de Alagoas (taxa de mortes por 10 veículos igual a 12,33).

EDUCAÇÃO, RESTRIÇÃO E TRANSPORTE PÚBLICO

Os especialistas defendem também um conjunto de ações para reverter esse quadro: educação, fiscalização e incentivo ao transporte coletivo.

A redução de velocidade nas vias de maior movimento com alto fluxo de pedestres é uma das alternativas que diminuem o número e a letalidade dos acidentes. Melhor formação dos novos condutores, reciclagem de motoristas já habilitados na hora de renovar a carta e campanhas de educação são outras ações importantes.

O transporte coletivo também é considerado essencial para redução do número de acidentes e, consequentemente, das mortes no trânsito.

Ao diminuir a frota de veículos de passeio, a possibilidade de acidente cai significativamente.

Um estudo do Centro para Cidades Sustentáveis da Embarq e do Banco Mundial mostar que os sistemas de faixas ou corredores de ônibus, desde os mais simples até Bus Rapid Transit, BRT são capazes de melhorar a segurança e reduzir os acidentes fatais em até 50%, caso os planejamentos e as intervenções viárias sejam realizados de maneira adequada. Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2015/11/14/estudo-mostra-como-projetar-corredores-de-onibus-que-melhorem-a-seguranca-viaria/

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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