COMTRANSLEGAL | IT-Trans 2018, na Alemanha, mostra avanços em soluções inovadoras para o transporte público

IT-Trans 2018, na Alemanha, mostra avanços em soluções inovadoras para o transporte público

O IT-Trans 2018 (6ª Conferência e Exposição Internacional), evento promovido pela União Internacional de Transportes Públicos (UITP) em Karlsruhe, Alemanha, entre os dias 6 e 8 de março, contou com aproximadamente 6000 participantes, representando 89 países diferentes. Além das palestras técnicas, em paralelo tem a Exhibition (Feira de tecnologia) de transportes. Nesta feira, inúmeras empresas mostram o que possuem de mais novo em tecnologias de monitoramento, rastreamento, bilhetagem, segurança, veículos autônomos, entre outras áreas. Essa feira ocupou os 12.000 metros quadrados do centro de convenções de Messe, em Karlsruhe. Com relação às palestras técnicas, diversos tópicos foram discutidos, entre eles: Big Data e API’s, MAAS, Autonomous Vehicles entre outros.

Algumas tecnologias de informação ao passageiro (Real-time passenger information – RTPI) chamaram a atenção, como por exemplo os pontos de ônibus multi-função (ou Smart Bus Stops). Estes pontos de ônibus agregam serviços de vendas de bilhetes além da venda de outros produtos (alimentação, por exemplo). Agregam também armários (smart lockers) que podem ser utilizados para entregas planejadas (a exemplo dos armários de entregas da Amazon existentes nos Estados Unidos). Finalmente, possuem também informações aos passageiros, como linhas de ônibus e horários de chegada.

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Pontos de ônibus com informações de linhas e horários através de telas de LCD (Liquid Crystal Displays). Têm autonomia de energia

Outra opção mais simples são os pontos de ônibus com informações de linhas e horários de passagem através de telas de LCD (Liquid Crystal Displays) – a tecnologia utilizada na maioria dos relógios digitais de pulso. Estes pontos de ônibus são autônomos (não precisam de ligação de energia, nem de rede) e podem operar com bateria, tendo uma autonomia de até 2 anos, facilitando sua instalação. E as informações apresentadas são atualizadas em tempo real, fornecendo aos passageiros dados como previsão de chegada e linhas de ônibus disponíveis.

Podemos argumentar que atualmente essa mesma informação pode ser consumida pelo passageiro através de aplicativos de smartphone. Entretanto, acredito que essa tecnologia ainda seja útil neste período de transição onde a abrangência de smartphones ainda não tenha atingido 100%. Além disso, essa informação, em alguns pontos de ônibus estratégicos, é útil para turistas e passageiros de primeira viagem.

Em particular, nós, da Scipopulis, fomos convidados a apresentar nossa experiência em Análise de Dados e Machine Learning através do Case que desenvolvemos para a cidade de São Paulo. Coube a mim fazer a palestra: “Finding order in chaos: how we extract information from15000 buses in São Paulo” (Como encontrar a ordem no caos: como extrair informação de 15 mil ônibus em São Paulo) na Sessão da Conferência “Data: the Good, the Bad, the Ugly” (o título da sessão faz referência ao histórico faroeste italiano que marcou época nos anos 60 – Dados: O bom, o mal, e o Vilão”, como o título foi traduzido para o cinema brasileiro).

Nesta palestra, mostramos como os 4Gb diários de dados são coletados, filtrados e armazenados. Mostramos também como velocidades das vias, do ponto de vista do ônibus, são calculadas e utilizadas em tempo real. Por fim, mostramos técnicas de Machine Learningpara prever índices de renovação e concorrência em linhas de ônibus em São Paulo. Essas técnicas permitem que o índice de renovação de novas linhas (ou de mudanças) seja previsto antes mesmo da implementação dessas. Isso facilita o planejamento e reduz custos operacionais, além de agilizar a implementação das mudanças.

Ainda nesta Sessão, vale a pena falar sobre as tratativas de padronização e da criação de arquiteturas de troca de informações de planificação e trânsito dos diversos países da Europa, apresentada por Stephanie Leonard na Sessão “Data: the good, the bad, the ugly“. Um fator catalisador para esta iniciativa foi o caos gerado em 2010 durante a erupção do Vulcão Eyjafjallajökull na Islândia. Até então, 53% das viagens que cruzam fronteiras na Europa eram realizadas por meio aéreo. Com o fechamento do espaço aéreo por vários dias, diversas pessoas tiveram que combinar meios de transporte alternativos para completar suas viagens até seus destinos finais. A dificuldade de planejamento de viagens multimodais ficou evidente dada à falta de informação localizada dos diversos países, inacessível (ou de difícil acesso) no nível europeu.

Em 2014 formou-se um consórcio que definiu regras e arquiteturas a serem seguidas pelos diversos países europeus, através do NAP (National Access Point). O NAP define modelos de dados, data warehouses e marketplaces de forma que informações de planejamento de viagens possam ser acessadas por qualquer interessado, seguindo os acordos de acesso previamente estabelecidos. As primeiras tratativas foram apresentadas no IT-Trans 2016, e agora em 2018 já temos diversos países em pleno processo de criação e aderência ao padrão. Vale ressaltar que em outubro de 2017 foi aprovado a lei EU/2017/1926 que oficializa esta iniciativa para que os países europeus participem desta iniciativa e forneçam dados de planificação de viagens seguindo essas especificações.

Poderíamos tomar como exemplo este nível de organização entre países para que acontecesse por aqui, entre nossos municípios, de forma a organizar e planejar as viagens intermunicipais diárias dos trabalhadores que precisam cruzar as “fronteiras” de nossas cidades para trabalhar, ir a escola, etc. O caso da região metropolitana é um ótimo exemplo.

Fonte: ANTP

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